Vídeo em Espanhol sobre as aparições de Maria Rainha da Paz em Medjugorje. Não trata o tema da posição da Igreja sobre Medjugorje mas da sua importância para a Igreja e para o mundo no nosso tempo. Palestra proferida no Congresso Ibero Americano pelo Pe. Francisco Verar em Janeiro de 2017.

A posição da Igreja sobre Medjugorje é por enquanto de absoluta prudência, porque a Igreja nunca reconhece qualquer aparição até que tenha sido finalizada e nunca se pronunciará sem estar completo o estudo correspondente, que neste caso e ao contrário de outras aparições não foi da competência do bispado mas do próprio Vaticano como evidenciado pela nomeação de uma Comissão de Inquérito para estudar o fenómeno.

A Santa Sé manifestou a sua posição sobre Medjugorje através da Congregação para a Doutrina da Fé, sendo o seu Prefeito o Cardeal Ratzinger. Fê-lo claramente protegendo as aparições de Maria e permitindo que os fiéis pudessem peregrinar a Medjugorje.

A Conferência Episcopal da antiga Jugoslávia emitiu um juízo prudente de espera que permite peregrinações ao lugar. A Conferência Episcopal pronunciou-se em 10 de abril de 1991, com um documento conhecido como a Declaração de Zadar.

Ao permitir as peregrinações a Igreja não reconheceu oficialmente as aparições, mas apenas afirma que não desaprova tudo o que acontece no local e nem vê isso como algo perigoso para a fé, mas sim que está em sintonia com o que a Igreja vive e ensina.

Portanto pode-se ir a Medjugorje em plena comunhão com o sentimento da Igreja. O que deve ser evitado é manifestar uma “aprovação final” das aparições, porque fazê-lo seria emitir um juízo que não pertence a nenhum fiel em particular, mas à autoridade competente da Igreja.

Opiniões pessoais favoráveis de João Paulo II e Bento XVI

Independentemente da posição da Igreja sobre Medjugorje a opinião pessoal favorável dos dois Papas é conhecida:

João Paulo II

João Paulo II na Praça de São Pedro com a Vidente Vicka, quando a única posição da Igreja sobre Medjugorje era a opinião pessoal do Papa
João Paulo II na Praça de São Pedro com a Vidente Vicka, quando a única posição da Igreja sobre Medjugorje era a opinião pessoal do Papa.

Repetidamente expressou a sua opinião pessoal sobre as aparições de Medjugorje, mostrando-se não só favorável mas também dando-lhes grande importância (informação recolhida de uma fonte sólida: o livro “Por qué es Santo”, obra do postulador da causa de sua canonização. Remetemo-nos à citada obra para informações mais completas: S. Oder, “Por qué es Santo”, ed. Ediciones B, pp. 167-169.):

– Ao Mons. Murilo Sebastião Ramos Krieger, arcebispo de Florianópolis (Brasil), que estava prestes a viajar pela quarta vez ao Santuário da Rainha da Paz, o Papa confirmou: “Medjugorje é o centro espiritual do mundo!”

– Em 1987 durante uma breve conversa que Karol Wojtyla teve com a vidente Mirjana Dragicevic confidenciou: “Se não fosse Papa estaria em Medjugorje a confessar.” Testemunho corroborado pelo cardeal Frantisek Tomasek, arcebispo emérito de Praga.

– Depois da morte de João Paulo II, os seus amigos Marek e Zofia Skwarnicki puseram à disposição cartas que lhes tinham sido enviadas, onde nas quais se encontram referências a Medjugorje (em Espanhol encontram-se estas cartas em: E. Maillard, El Niño escondido de Medjugorje, Sons of Medjugorje Association, pp. 343-346.). Numa delas escreve: “Agradeço a Zofia por tudo que diz respeito a Medjugorje. Eu também visito esse lugar diariamente quando rezo: uno-me a todos os que lá rezam”.

– Por fim, recolhemos uma afirmação que parece particularmente significativa: O Arcebispo Eslovaco, Pavel Hnilica, um dos prelados mais próximos do Papa, perguntou se alguma vez tinha ido a Medjugorje. Respondeu que não o fez porque certas autoridades do Vaticano o desencorajaram. O Santo Padre então pediu-lhe que fosse e que depois lhe contasse o que visse, dizendo: “Medjugorje é a continuação de Fátima, é a realização de Fátima”.

Bento XVI

Cardeal Ratzinger com o Pe. Slavko Barbaric, Pároco Franciscano da Paróquia de Medjugorje.
Cardeal Ratzinger com o Pe. Slavko Barbaric, Pároco Franciscano da Paróquia de Medjugorje.

O Papa Bento XVI protegeu estas aparições enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: Sob a sua supervisão no documento da Congregação de 28 de Maio de 1998 e enquanto Papa falou em privado positivamente delas por exemplo ao cardeal Madariaga, Arcebispo de Tegucigalpa (Honduras), a quem deu a seguinte resposta quando questionado sobre se tinha falado com Sua Santidade Bento XVI sobre Medjugorje: “uma vez que falamos sobre Medjugorje, Sua Santidade disse: «Pelos seus frutos os conhecereis», e os frutos que eu vejo são extremamente positivos e por isso digo o mesmo que ele”.

Francisco

É Francisco quem em 2018 analisa os trabalhos da Comissão Ruini que dá como sobrenaturais as primeiras aparições e nomeia Mons. Hoser como visitador apostólico.
É Francisco quem em 2018 analisa os trabalhos da Comissão Ruini que dá como sobrenaturais as primeiras aparições e nomeia Mons. Hoser como visitador apostólico. Até à data a posição da Igreja sobre Medjugorje é nada a objectar, culto e peregrinações podem fazer-se.

Desde que o Papa Francisco foi eleito em 13 de Março de 2013 o Vaticano não voltou a fazer declarações sobre a posição da Igreja sobre Medjugorje, portanto resta apenas esperar alguma manifestação que em qualquer caso e uma vez que as aparições continuam, não deverão ser conclusivas ainda.

O que se sabe é que desde há muito que o cardeal Bergoglio acompanha de perto os acontecimentos de Medjugorje. Como arcebispo apressou-se a autorizar e a facilitar o caminho para que o vidente Ivan desse o seu testemunho em Buenos Aires numa das suas últimas decisões antes de partir para Roma, onde viria a ser eleito papa. Foi ele também quem recebeu Padre Jozo Zovko na sua visita de missão à Argentina e quem acolheu em Fevereiro de 2012, Frei Danko Perutina (bem conhecido de todos os peregrinos de Medjugorje e ligado em particular na difusão da mensagem de Maria na América).  Lembra-se com carinho da breve entrevista que teve com ele no aeroporto de Ezeiza.

Para completar, deve-se notar que há três anos o seu confessor era um franciscano de Herzegovina, Pe. Ostojić e anteriormente durante 30 anos, foi o padre Nicolas Mihaljevic (falecido), também croata jesuíta como Bergóglio.

Finalmente será Francisco quem irá decidir da posição da Igreja sobre Medjugorje, depois de estudar as conclusões realizadas pela Comissão do Vaticano. De alguma forma, durante o seu mandato como arcebispo deu apoio a todas as iniciativas.

Peregrinações permitidas com acompanhamento de Sacerdotes

Sacerdotes na esplanada exterior de MedjugorjeO cardeal Tarcisio Bertone, já Secretário de Estado, reafirmou essa posição da Igreja no livro “A última vidente de Fátima” – as minhas conversas com a Ir. Lucia, publicado em Itália no ano de 2007. Nele podemos ler: “Estão permitidas peregrinações privadas e os fiéis podem contar com acompanhamento pastoral (isto é com o acompanhamento de sacerdotes). Definitivamente os peregrinos católicos podem ir a Medjugorje, local de culto mariano, no qual é possível expressarem-se através de todas as formas de devoção”.

Constituição de uma Comissão Internacional para estudar o fenómeno de Medjugorje. 2010

A Santa Sé com o fim de clarificar a posição da Igreja sobre Medjugorje, diante da Congregação para a Doutrina da Fé, estabeleceu uma Comissão Internacional focada no estudo do fenómeno de Medjugorje de acordo com comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé em 17 de Março. A Comissão composta por cardeais, bispos, perítos e especialistas, é presidida pelo Cardeal Camillo Ruini.

Na conferência de imprensa do Vaticano, o director da Sala de Informação da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse que a Comissão vai trabalhar com discrição e os resultados depois de um longo trabalho serão apresentado à Congregação para a Doutrina da Fé.

A mesma notícia foi comunicada aos bispos da Conferência Episcopal da Bósnia-Herzegovina, pelo arcebispo Alessandro D’Errico, o núncio apostólico na Bósnia-Herzegovina, como manda o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Tarcisio Bertone.

Em 26 de março de 2010, esta Comissão Internacional reuniu-se pela primeira vez para estudar o fenómeno de Medjugorje. A comissão é composta por 17 membros, incluindo cinco cardeais. As obras devem ser submetidas à Congregação para a Doutrina da Fé.

Membros da comissão:

  • Presidente: Cardeal Camillo Ruini – Itália. Vigário geral emérito de Sua Santidade para a Diocese de Roma.
  • Cardeal Józef Tomko – Eslováquia. Prefeito Emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos.
  • Cardeal Vinko Puljic – Bósnia-Herzegovina. Arcebispo de Vrhbosna (Bósnia-Herzegovina), presidente da Conferência Episcopal da Bósnia-Herzegovina.
  • O cardeal Josip Bózanic – Croácia. Arcebispo de Zagreb, vice-presidente do Conselho da Conferência Episcopal da Europa.
  • Cardeal Julián Herranz – Espanha. Presidente emérito do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Doutor em Psiquiatria e Direito.
  • Arcebispo Angelo Amato, S.D.B. – Itália Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
  • Mons. Tony Anatrella – França. Psicanalista e especialista em psiquiatria social.
  • Pbro. Pierangelo Sequeri – Itália. Professor de Teologia Fundamental na Faculdade Teológica do Norte da Itália e escritor.
  • Pbro. David Maria Jaeger, O.F.M. Israel. Consultor do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos.
  • Pbro. Zdziscaw Józef Kijas, O.F.M. – Polônia. Relator da Congregação para as Causas dos Santos. Secretário da Pontifícia Academia de Maria Imaculada em Roma.
  • Pbro. Salvatore M. Perrella, O.S.M. – Itália Professor de Mariologia na Faculdade Teológica Pontifícia Mariana.
  • Pbro. Achim Schütz – Alemanha. Professor de Antropologia Teológica na Pontifícia Universidade Lateranense, como secretário.
  • Mons Krzysztof Nykiel – Polônia. Oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, como vice-secretário.
  • Pbro. Franjo Topic – Bósnia-Herzegovina. Professor de Teologia Fundamental em Sarajevo.
  • Pbro. Mijo Nikic, S.I. – Croácia. Professor de Psicologia e Psicologia da Religião no Filosófico e Teológico Instituto da Companhia de Jesus em Zagreb.
  • Pbro. Mihály Szentmártοni, S.I. Sérvia. Professor de Espiritualidade na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
  • Irmã Verónica Nela Gaspar – Bósnia-Herzegovina. Professor de Teologia em Rijeka.

Enviado especial do Papa a Medjugorje para a pastoral. 2017

Vídeo em Espanhol e Francês da conferência de imprensa dada por Mons. Henryk Hoser em 5 de Abril de 2018, acompanhado por, à direita Frei Miljenko Steko Provincial da Província Franciscana da Herzegovina e Frei Marinko Sakota Pároco da Igreja de Santiago de Medjugorje à esquerda.

Em 11 de Fevereiro de 2017 o Santo Padre confiou a missão ao arcebispo de Varsóvia-Praga, Mons. Henryk Hoser, S.A.C., para deslocar-se a Medjugorje como enviado especial da Santa Sé.

A missão visa adquirir um conhecimento mais profundo da situação pastoral e acima de tudo, das necessidades dos fiéis que saem em peregrinação e com base nisso, propor possíveis iniciativas pastorais para o futuro. Portanto a missão terá um carácter exclusivamente pastoral e não para estabelecer uma posição da Igreja sobre Medjugorje.

Espera-se que o Arcebispo Hoser, que continuará a exercer o seu papel como bispo de Varsóvia-Praga, termine seu mandato como enviado especial para o Verão deste ano.

Nomeação Papal de Mons. Henryk Hoser como Visitador Apostólico. Maio 2018

A missão do visitador apostólico destina-se a acompanhar de forma estável e contínua os fiéis peregrinos, segundo a declaração de Imprensa da Santa Sé.

Cidade do Vaticano

Em 31 de maio de 2018, o Santo Padre Francisco nomeou S.E. Mons. Henryk Hoser, S.A.C., Arcebispo-Bispo emérito de Varsóvia-Praga (Polónia), Visitador Apostólico especificamente para a paróquia de Medjugorje por período indefenido nutum Sanctae Sedis como é relatado numa declaração da Assessoria de Imprensa da Santa Sé.

É uma atribuição exclusivamente pastoral em continuidade com a missão de enviado especial da Santa Sé para a paróquia de Medjugorje, confiada a Mons. Hoser em 11 de Fevereiro 2017 e concluída, nos últimos meses.

A missão do visitador apostólico – diz o comunicado – visa garantir um suporte estável e contínuo da comunidade paroquial de Medjugorje aos fiéis que vão em peregrinação, cujas demandas requerem atenção especial.

Em resumo, até ao ano de 2018 a posição da Igreja sobre Medjugorje é:

todos os fiéis católicos podem fazer peregrinações e organizar livremente peregrinações a Medjugorje, sendo aconselhável o acompanhamento dos sacerdotes nessas peregrinações pela atenção espiritual própria e necessária a qualquer peregrinação.