No dia 27 de Novembro, realizou-se no Vaticano durante três dias a primeira conferência internacional sobre o tema “O Santuário está aberto para a nova evangelização”. Neste contexto, o Pároco de Medjugorje, Frei Marinko Sakota, foi recebido pelo Papa Francisco num breve e cordial encontro com outros reitores e colaboradores dos santuários do mundo.

Para o final do congresso foi agendado o encontro com o Papa Francisco de todo o nosso grupo de 600 pessoas. O Bispo Fisichelle anunciou no dia anterior que seria difícil o Papa saudar a todos pessoalmente e por essa razão alguns dos representantes foram eleitos em nome de todos. É claro que, em todos, havia o grande desejo de pelo menos tocar a mão do Papa, mas por causa do grande número de participantes, estávamos cientes de que o simples facto de ver o Papa de perto já era bastante.

Foi-nos dito que não viéssemos todos ao mesmo tempo para a Praça de São Pedro, mas em grupos, entre as 8:00 e as 9:30 devido à multidão. No entanto todos nós, os mais de 600 chegamos ao mesmo tempo, às 8 horas. É compreensível que todos quisessem ocupar o lugar mais próximo do Papa Francisco. Passamos pelo controle da polícia e paramos em frente a uma longa e imponente escadaria que levava ao interior das salas do Vaticano. Estávamos impacientemente à espera quando passamos pela porta da sala onde iríamos ver o Papa. Deixaram-nos passar em grupos de algumas dezenas de pessoas. Quando entramos, não podíamos deixar de olhar para as pinturas de Michelangelo, literalmente toda a sala foi pintada pela mão do grande artista. Primeiramente fomos recebidos pelo Bispo Fisichelle e então os representantes dos grandes Santuários do Mundo intervieram durante os 10 minutos que tinham disponíveis. Apresentaram os elementos mais importantes dos seus santuários, com ênfase especial no trabalho com os jovens. Assim, ouvimos as experiências de santuários de renome mundial, como Lourdes, Fátima, Guadalupe e Terra Santa, e como os menores, a Coreia do Sul e outras partes do mundo.

Exactamente e de acordo com o programa, às 11h30 o Papa Francisco apareceu à porta. Todos nos levantamos quando o pastor branco entrou naquela bela sala. Seguiu-se um grande aplauso com entusiasmo reflectido nos rostos de todos os presentes. Mãos com telemóveis e máquinas fotográficas para cima. Todos queriam gravar esse momento especial. Depois de alguns minutos, quando voltamos aos nossos lugares, Mons. Fisichelle em nome de todos os participantes do Congresso cumprimentou o Papa Francisco, agradecendo-lhe não só a sua chegada, mas também a sua iniciativa, cujo fruto é o próprio Congresso e apresentou-lhe o trabalho do Congresso. Depois disso, o Papa Francisco dirigiu-se a todos nós. Destacou o papel do santuário para a Nova Evangelização e encorajou-nos a dedicarmo-nos a esse trabalho ainda com mais fervor. Falou-nos sobre a importância de um coração aberto e da aceitação cordial dos peregrinos e de todos aqueles que vêm ao santuário.

Encontro de Reitores de Santuários Marianos, no qual o Pároco de Medjugorje Frei Marinko Sakota participou
Encontro de Reitores de Santuários Marianos, no qual o Pároco de Medjugorje Frei Marinko Sakota participou

Quando o papa terminou o seu discurso, os representantes dos santuários aproximaram-se dele. Após o encontro com eles o Papa teve que seguir seu programa e sair da sala, mas naquele momento algo inesperado aconteceu, o Papa Francisco expressou o desejo de saudar pessoalmente cada um de nós – aos 600 – A nossa alegria não teve limites! Tanto o aplauso que ecoou na bela sala e os olhos brilhantes e sorrisos que não podiam ser apagados dos rostos, testemunharam que tinha sido uma grande surpresa para todos.

Fila após fila, as pessoas cumprimentavam o Papa e saiam felizes da sala.

Quando chegou a minha vez (o Reitor ou Pároco de Medjugorje), pensei no que dar ao Papa. Eu tinha deixado Medjugorje com a intenção de que, se houvesse um encontro com o Papa, dar-lhe-ia um rosário, um livro de orações e um boletim em italiano sobre os assuntos mais importantes relacionados com Medjugorje. Tudo isso eu tinha na mala, mas por razões práticas decidi-me pelo rosário feito de espinhos de Herzegovina. Peguei no rosário e aproximei-me do Papa. Vendo que os que estavam à minha frente não pararam mas apenas estenderam a mão, eu entendi que “menos é mais” e que em poucas palavras eu tinha que dizer quem era e de onde vinha. Quando me aproximei do Papa estendi a mão em que tinha o rosário e observando o rosto sorridente e amigável do Papa, pronunciei sem respirar as seguintes palavras:

O Pároco de Medjugorje. Cumprimentos do Monsenhor Hoser“.

Quando o Papa ouviu as minhas palavras, manteve as mãos nas minhas, parou por alguns instantes e disse:

“Sede obedientes a Monsenhor Hoser”.

Enquanto o papa dizia estas palavras, olhei sorrindo para o rosto dele. Não sei se nesse momento eu estava no chão ou flutuando. Talvez o Papa tenha notado que estava muito feliz pelo encontro com ele e repetiu as palavras já ditas:

“Sede obedientes a Monsenhor Hoser”.

Frei Marinko Sakota Pároco de Medjugorje e Papa Francisco
Frei Marinko Sakota Pároco de Medjugorje e Papa Francisco

Depois disso acrescentou:

“Sim?”

A expressão em forma de pergunta era como um sinal de que queria descobrir se eu entendia e se tinha levado suficientemente a sério o que me dizia. Então  respondi:

“Sim, sim!”

Finalmente, segurando o rosário na minha mão, perguntou-me:

“Este rosário é para mim?”

Eu disse:

“Sim, é para si!”

Ele respondeu:

“Obrigado”.

E eu respondi:

“Obrigado, graças a si!”

Então os do lado fizeram-me sinal para que me afastasse e desse espaço para outros se aproximarem do Papa.

Saí da sala e desci as escadas espaçosas pulando de alegria e quase incapaz de acreditar no que havia acontecido. Andava pela Praça de São Pedro, mas não via nada porque nos meus pensamentos estavam nos momentos ocorridos apenas alguns minutos antes.

Tentei reconstruir cada momento do encontro com o Papa, cada seu gesto, cada sua palavra. Queria saber o que o Papa me queria dizer. Tive a impressão de que tanto ao Pároco de Medjugorje, como aos frades que servem na paróquia e todos os paroquianos e peregrinos, quis enviar uma mensagem a partir do coração com palavras quentes de pai, mas ao mesmo tempo sérias.

Entendi claramente que aquelas poucas palavras não mas disse por dizer, mas que já teria no seu coração a intenção de nos enviar essa mensagem importante.

Isso entendi eu, pegando no que aconteceu e lembrando a atenção especial com que o Papa pronunciou as mencionadas palavras.

Perguntando-me por que teria repetido as mesmas palavras, concluí que poderia ter sentido que a primeira vez que as disse eu não tinha ouvido bem ou não tinha levado o suficiente a sério. Obviamente que era muito importante que as palavras e a mensagem fossem bem lembradas e transmitidas em Medjugorje.

Nas palavras mencionadas pelo Papa, vi a grande confiança que o Papa Francisco põe no Arcebispo Henryk Hoser, como se quisesse dizer-nos: Obedecendo a Hoser estais obedecendo a mim e à Igreja; se pelo contrário não obedecerdes a Hoser, não estareis obedecendo a mim nem à Igreja. Com estas poucas palavras entendi que Medjugorje é muito importante para o Papa e realmente tem-no no coração e quer que todos respondamos seriamente à tarefa que nos foi confiada. Nas palavras do Papa senti muito encorajamento, mas também a grande responsabilidade que todos temos em relação ao fenómeno de Međjugorje.

Lágrimas de sangue de Nossa Senhora
Monsenhor Hoser: Medjugorje é sinal de uma Igreja viva