Medjugorje é sinal de uma Igreja viva segundo Mosenhor Henryk Hoser
Medjugorje é sinal de uma Igreja viva segundo o arcebispo Henryk Hoser, polaco e nomeado pelo Papa Francisco como Visitador Apostólico para a Paróquia da São Tiago Apóstolo onde alegadamente sucedem as aparições de Nossa Senhora.

Medjugorje é sinal de uma Igreja viva. O arcebispo Henryk Hoser, polaco, uma vida passada em posições na África, França, Holanda, Bélgica e Polónia, há quinze meses foi enviado pelo Papa Francisco à paróquia dos Balcãs, conhecida em todo o mundo pelas supostas aparições marianas iniciadas a 25 de Junho de 1981.

E – de acordo os seis supostos videntes envolvidos – ainda em vigor. Acabou de completar uma palestra cheia de gente para os peregrinos Italianos, no grande “salão amarelo”, também utilizado para acompanhar as liturgias por videoconferência, porque a grande igreja tornou-se insuficiente.

Uma “Catedral” inexplicavelmente surgirá num campo desabitado, bem antes das aparições … Foi um sinal profético. Hoje os peregrinos vêm de todo o mundo, de 80 países. Todos os anos recebemos quase três milhões de pessoas.

Como fotografar essa realidade?

Em três níveis: o primeiro é local, paroquial; O segundo é internacional, ligado à história desta terra, onde encontramos croatas, bósnios, católicos, muçulmanos, ortodoxos; O terceiro nível é planetário, com chegadas de todos os continentes, especialmente jovens.

Em relação a esses fenómenos sempre bastante discutidos, tem alguma opinião?

Medjugorje já não é um lugar “suspeito”. Fui enviado pelo Papa para valorizar a actividade pastoral nesta paróquia, que é muito rica em fermentação, vive uma intensa religiosidade popular, constituída de um lado por ritos tradicionais, como o Rosário, a adoração eucarística e as peregrinações. A Via-Sacra do outro, por enraizamento profundo de importantes sacramentos, como por exemplo, a Confissão.

O que o afecta em comparação com outras experiências?

Um ambiente que se presta ao silêncio e à meditação. A oração faz-se itinerante não só no caminho da Via-Sacra, mas também no “triângulo” projectado pela igreja de São Tiago, a colina das aparições (Cruz Azul) e o Monte Krizevac, em cujo pico desde 1933 há uma grande cruz branca que celebra, meio século antes das aparições, os 1.900 anos da morte de Jesus. Esses objectivos são elementos constitutivos da peregrinação a Medjugorje. A maioria dos fiéis não vem para as aparições. O silêncio da oração é suavizado por uma harmonia musical que faz parte dessa cultura, sóbria, trabalhadora, mas também cheia de ternura. Muitas músicas de Taizé são usadas. No geral, é criada uma atmosfera que facilita o reecolhimento, a meditação, a análise da própria vida e em geral, para muitos a conversão. Muitos escolhem as horas da noite para irem à colina das aparições ou até mesmo para o Monte Krizevac.

Qual é o seu relacionamento com os “videntes”?

Já os conheço a todos. No começo conheci quatro, depois outros dois. Cada um deles tem sua própria história, uma família própria. É importante no entanto, que  estejam envolvidos na vida da paróquia.

De que maneira pretende trabalhar?

Especialmente na formação. É claro que não é fácil falar de formação a pessoas que com tempos e métodos diferentes, testemunham receber mensagens da Virgem Maria há quase 40 anos. Estamos todos conscientes de que todos, inclusive os bispos, necessitamos de uma formação permanente, sobretudo num contexto comunitário. É uma dimensão que deve ser fortalecida com paciência.

Detecta riscos, nesta acentuação do culto mariano?

Certamente que não. A piedade popular, aqui é centrada na pessoa da Maria Rainha da Paz, mas continua a ser um culto Cristocêntrico, como também o cânone litúrgico é Cristocêntrico.

As tensões com a Diocese de Mostar diminuíram?

Houve desentendimentos sobre o tema das aparições, temos relações centradas e acima de tudo na colaboração ao nível pastoral, desde então o relacionamento desenvolve-se sem reservas.

Que futuro prevê para Medjugorje?

Não é fácil responder. Depende de tantos elementos. Posso dizer o que é agora e como pode ser fortalecido. Uma experiência de qual brotam 700 vocações religiosas e sacerdotais é sem dúvida uma consolidação da identidade cristã, uma identidade vertical na qual o homem, através de Maria, dirige-se a Cristo ressuscitado. Oferece a qualquer pessoa que queira confrontar-se com essa experiência, a imagem de uma Igreja que está plenamente viva e em particular jovem.

Pode dizer-nos o que mais o impressionou nos últimos meses?

Esta é uma igreja pobre com poucos padres, que são espiritualmente enriquecidos graças aos muitos sacerdotes que acompanham os peregrinos. E não só isso, fiquei impressionado com um australiano, um alcoólico, um viciado em drogas. Aqui, converteu-se e escolheu tornar-se padre. Estou impressionado com as confissões. Existem aqueles que vêm aqui especificamente para se confessar. Estou impressionado com os milhares de conversões.

A mudança de rumo poderia também vir de um reconhecimento de Medjugorje como uma delegação pontifícia?

Não descarto essa possibilidade. A experiência do enviado da Santa Sé foi acolhida como um sinal de abertura para uma importante experiência religiosa, que se tornou um ponto de referência internacional.

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